Acusado de matar adolescente em SJB vai a júri popular nesta quinta

Acusado de matar adolescente em SJB vai a júri popular nesta quinta

Crime aconteceu no distrito de Atafona, em dezembro de 2023, cometido por colega da vítima que admitia “ter o desejo de matar alguém”

Nesta quinta-feira (24) o Tribunal do Júri de São João da Barra realiza o julgamento de Gabriel da Conceição Bento, de 20 anos. Ele é acusado do assassinato da estudante Maria Eduarda da Silva Barreto, de 17 anos, e da tentativa de homicídio contra o namorado da adolescente. A sessão está marcada para acontecer no Fórum de São João da Barra.

O crime aconteceu no distrito de Atafona, em dezembro de 2023, e, segundo as investigações apresentadas pela Polícia Civil à época, Gabriel e a vítima já se conheciam e estudavam no Colégio Dr. Newton Alves. O caso abalou a comunidade local e, arrasados, os pais da adolescente foram embora da localidade. A menina era filha única.

Segundo relato apresentado à época pela delegada Madeleine Dykman, Gabriel teria atraído a adolescente até sua residência sob o pretexto de presenteá-la com um livro. Para a investigação, essa circunstância foi considerada um dos elementos que apontaram para a possibilidade de premeditação.

Ainda de acordo com o depoimento atribuído ao acusado, após a estudante entrar na residência, Gabriel teria iniciado uma tentativa de esganamento. A adolescente teria pegado uma faca para se defender, mas acabou desarmada. Em seguida, teria sido morta por esganamento. A perícia também teria investigado a possibilidade de utilização de um fio elétrico.

A investigação aponta ainda que, após a morte da adolescente, Gabriel teria cometido atos contra o corpo da vítima. Segundo a delegada, ele teria relatado uma tentativa de retirar parte do tecido do corpo e a prática de ato sexual após a morte. A caracterização jurídica desses atos dependeria da conclusão pericial e da análise do Judiciário.

Namorado da vítima também foi atacado

Após o homicídio, Gabriel teria utilizado o celular da vítima para enviar uma mensagem ao namorado dela, então com 16 anos, atraindo-o até a residência. Segundo o relato policial, o adolescente foi levado para os fundos do imóvel, onde Gabriel teria afirmado que havia matado Maria Eduarda e, em seguida, o atacado com uma faca.

Ainda segundo a investigação, Gabriel teria dito que pretendia atingir a região do pescoço da vítima, mas o golpe atingiu a região da bochecha. Os dois entraram em luta corporal e o adolescente conseguiu chegar a um quarto e pedir socorro.

A movimentação chamou a atenção da irmã de Gabriel, que estaria em uma residência localizada na frente do imóvel. Ela teria ido até o local e ordenado que o irmão parasse. O adolescente conseguiu fugir. Gabriel teria sido agredido por populares ao sair da residência e acabou detido pela Polícia Militar.

Investigação sobre possível motivação

Durante as investigações, Gabriel teria afirmado que não mantinha relacionamento afetivo com a vítima e que os dois eram apenas colegas. Conforme relatado pela delegada, ele teria dito que desde criança tinha interesse em matar alguém e que já havia pensado anteriormente em atrair outras pessoas para locais isolados.

A investigação também apontou que Gabriel e Maria Eduarda compartilhavam interesse por histórias envolvendo serial killers e investigações policiais. Um livro relacionado ao tema teria sido apreendido na residência do acusado.

Segundo ainda a delegada Madeleine Dykman, Gabriel teria negado que existisse uma motivação específica relacionada à adolescente. Ainda de acordo com a policial, ele teria afirmado que não gostava nem desgostava da vítima e que a escolha teria ocorrido porque queria matar alguém.

A delegada também afirmou, à época, que a investigação não classificava inicialmente o caso como feminicídio, por entender que não havia, segundo os elementos reunidos naquele momento, motivação relacionada à condição de mulher da vítima.

Relatos sobre comportamento anterior

Ouvidos durante a investigação, familiares do acusado teriam relatado mudanças no comportamento de Gabriel após a pandemia de Covid-19. Segundo a delegada, a família o descreveu como uma pessoa mais quieta e reservada e mencionou que ele fazia comentários sobre matar pessoas, embora os familiares não acreditassem que essas declarações fossem concretizadas.

Também foi citada uma informação sobre uma suposta investigação anterior relacionada a uma tentativa de chacina em uma escola de São João da Barra. Conforme relatado pela delegada, essa informação ainda não havia sido formalmente incorporada aos autos naquele momento e Gabriel teria negado envolvimento, classificando o episódio como uma “informação falsa”.

Acusações

Segundo informações apresentadas pela investigação, Gabriel da Conceição Bento responde por homicídio qualificado pela morte de Maria Eduarda, homicídio qualificado na forma tentada contra o namorado da adolescente e vilipêndio de cadáver. O julgamento desta quinta-feira (24) será responsável pela análise das provas produzidas no processo e pela decisão dos jurados sobre os crimes submetidos ao Tribunal do Júri.