Estrada de Ferro 118 tem leilão de concessão previsto para junho
Ferrovia de quase 600 km custará R$ 6,6 bilhões, conectando o Rio de Janeiro ao Espírito Santo, passando pelo Porto do Açu, em São João da Barra, interligando às principais malhas do país
Com leilão da concessão previsto para junho deste ano, a Estrada de Ferro 118 (EF-118), também chamada de Anel Ferroviário do Sudeste, desponta como um dos maiores projetos do setor em todo o país. Avaliada em R$ 6,6 bilhões e com até 575 quilômetros de extensão, promete mudar o mapa logístico do Sudeste brasileiro. A ferrovia vai conectar o Rio de Janeiro ao Espírito Santo, integrando portos estratégicos às principais malhas ferroviárias do país.
O projeto, aprovado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), prevê a ligação entre Nova Iguaçu (RJ) e Santa Leopoldina (ES), ponto-chave para a conexão com a Estrada de Ferro Vitória-Minas (EFVM), operada pela Vale, e com a Malha Ferroviária do Sudeste (MRS). A expectativa é criar uma nova rota para o escoamento da produção agrícola e mineral, reduzindo custos e gargalos logísticos.
Duas etapas e conclusão em 2035
A implantação da EF-118 será feita em fases. A primeira etapa, considerada prioritária, terá 246 km de trilhos e ligará São João da Barra (RJ) — onde está localizado o Porto do Açu — a Santa Leopoldina (ES). A previsão é que esse trecho esteja concluído até 2035.
Já a segunda fase, que conectará São João da Barra a Nova Iguaçu, será avaliada após o início da concessão da etapa inicial, dependendo da demanda e da viabilidade econômica do projeto.
Projeto histórico
Um dos principais entraves históricos da EF-118 era o chamado Ramal Anchieta, ligação de cerca de 80 km entre Santa Leopoldina e Anchieta (ES), essencial para integrar a nova ferrovia à EFVM. Esse trecho agora foi oficialmente incorporado ao projeto da concessão.
Inicialmente, a construção do ramal seria uma obrigação da Vale, como condicionante da repactuação da concessão da Vitória-Minas. Com a mudança aprovada pela ANTT, a responsabilidade passará a ser do futuro concessionário da EF-118, com parte dos recursos garantidos pela mineradora.
Segundo a Agência Infra, a Vale vai aportar R$ 826,1 milhões para viabilizar o projeto. Para tornar o leilão viável, o governo federal estruturou um modelo de financiamento robusto:
R$ 2,8 bilhões virão da repactuação do contrato da MRS Logística;
R$ 502,5 milhões sairão da renovação da concessão da Rumo Malha Paulista;
R$ 826,1 milhões serão aportados pela Vale;
O restante completa o investimento total estimado em R$ 6,6 bilhões.
O aditivo contratual da MRS e o avanço do projeto da EF-118 foram aprovados na mesma reunião da diretoria da ANTT, que também autorizou o envio do processo para análise do Tribunal de Contas da União (TCU).

